CENTROS INTERPRETATIVOS - Preservar e valorizar o património

Desenvolveu-se o trabalho de conceção de quatro centros interpretativos da Reserva da Biosfera Meseta Ibérica.
Estes centros estão distribuídos pelas quatro áreas do território, Terra Quente e Terra Fria Transmontana (Portugal) e províncias de Zamora e Salamanca (Espanha).
Face à dimensão deste território, uma das reservas com maior biodiversidade da Europa e a existência de um imenso património cultural, estes centros são decisivos para dar a conhecer os recursos existentes nas diferentes regiões, funcionando como meio imprescindível de orientação e compreensão nas visitas e explorações do território. Os centros funcionarão como espaços de atração e comunicação do potencial turístico de cada uma destas regiões, da sua identidade comum e especificidades, permitindo uma descoberta mais profunda e sustentável das regiões.
Deste modo, os centros interpretativos constituem meios e espaços fundamentais para cumprir alguns objetivos do programa MaB (Man and Biosphere), nomeadamente a conservação da biodiversidade, a promoção da investigação científica sobre biodiversidade, sustentabilidade e a educação para o desenvolvimento sustentável. Os centros interpretativos são espaços que podem e devem colaborar e, estabelecer vínculos com os sistemas educativos formais, pelo favorecimento de uma comunicação fluida, troca de experiências, clarificando significados e aproximando os públicos dos recursos, dos seus valores e conexões mais profundos.
Na conceção destes quatro centros foram identificados e sistematizados os elementos transversais do património da região: natural, agropecuário, histórico, imaterial e paisagístico. Embora não se pretendesse elaborar os conteúdos finais, a conceção destes centros implica um conhecimento profundo e integrado de todos os elementos naturais e culturais que singularizam o território.
Estes trabalhos assentaram numa perceção dinâmica do que constitui um centro interpretativo, como uma ferramenta de gestão cultural e, não apenas, como um edifício centrado na vocação expositiva. Um centro de interpretação deve apresentar o território de uma forma atrativa, proporcionar as chaves para o entender, revelar os significados ocultos das paisagens e promover o desejo de investigar e conhecer in situ aquilo que é mostrado.

Neste sentido, os responsáveis pelo projeto orientaram-se por mandamentos estruturais que assegurem o cumprimento da essência de um centro interpretativo:
· Deve relacionar o conteúdo às ideias prévias do visitante;
· Deve incitar, motivar e despertar interesse;
· Deve pensar nos segmentos etários dos visitantes;
· Deve interpretar e não apenas informar;
· Deve haver uma organização hierárquica do conteúdo.
Para estes quatro Centros foram definidas as localizações em La Fregeneda (Salamanca), Villardeciervos (Zamora), Vimioso (Terra Fria) e Vila Flor (Terra Quente), garantindo uma distribuição igual pelos dois países, a presença em quatro áreas do território e integrado numa visão do ZASNET, de quatro entradas naturais na Reserva.
La Fregeneda situa-se nas Arribes entre o Douro e Águeda, numa paisagem de declives e desfiladeiros, sendo conhecida pela assombrosa rota dos túneis, que segue a antiga linha de caminho de ferro entre La Fregeneda e Barca d’Alva. O centro localiza-se junto ao cais de Veja Terrón, perto da foz onde o rio Águeda entrega as suas águas ao rio Douro.
A Norte, o centro de Villardeciervos localiza-se num povoado com casas muito bem conservadas, num conjunto habitacional homogéneo e bonito. Este centro abre as portas da Reserva aos visitantes para a região de Sanabria e para o património histórico e natural da Reserva Nacional de Caça da Sierra de la Culebra.
Em território português, o centro de Vimioso localiza-se entre o Parque Natural de Montesinho e o Parque Natural Douro Internacional. Em simultâneo, em Vimioso cruza-se com uma das portas de entrada para a Rota da Terra Fria Transmontana, que permite aos visitantes descobrir o nordeste português, numa experienciação deste território nas suas dimensões paisagística, florística, biológica, geológica, cultural e humana.
Finalmente, o centro de Vila Flor é um ponto de partida para a descoberta da Reserva na região da Terra Quente Transmontana, das suas paisagens de vinhas e oliveiras, mas também de imenso património histórico. Um centro localizado no Parque Natural do Vale do Tua, com grande diversidade natural e paisagística.

Os espaços
Cada um dos centros foi planificado para proporcionar ao visitante uma experiência agradável, tanto no território como no próprio centro de interpretação; fornecer-lhe as chaves para entender o território e as inter-relações entre elementos naturais e culturais e vincular emocionalmente a população local mais próxima ao equipamento, promovendo em simultâneo a melhoria da sua qualidade de vida.
Nesta conceção, cada centro foi idealizado numa estrutura de cinco espaços: sinalização exterior; receção e acolhimento dos visitantes; área dedicada à apresentação do território; zona (designada de Memória) dedicada fundamentalmente à relação com as populações locais; uma sala multifunções para workshops, palestras e atividades diversas e, finalmente, serviços de apoio às visitas - bar, restaurante etc.
Os recursos que irão compor estes Centros Interpretativos assentam nas quatro grandes famílias de elementos comuns nestes espaços: painéis, tecnologias de informação e comunicação, objetos naturais e réplicas, e elementos audiovisuais.
Os promotores deste projeto acreditam que os trabalhos realizados cumpriram as três orientações gerais definidas para esta conceção: manter e promover uma identidade comum à RBTMI nos diferentes centros; integrar uma vasta informação relevante sem obrigar a grandes espaços físicos e aproveitar equipamentos existentes, garantindo uma maior economia de custos.