O Melro-d’água o pequeno guardião das águas cristalinas da Meseta Ibérica

Nas margens dos rios que serpenteiam o Nordeste Transmontano e as províncias de Zamora e Salamanca, vive um dos habitantes mais extraordinários e carismáticos da nossa Reserva da Biosfera. O Melro-d’água não é um pássaro qualquer, é o único pássaro cantor do mundo capaz de mergulhar e caminhar debaixo de água.
Na Meseta Ibérica, onde a água é o sangue que dá vida à paisagem, este pequeno mestre do mergulho assume um papel fundamental: o de sentinela da pureza.
Com a sua silhueta redonda, cauda curta e o distinto “peito branco“ que brilha contra as rochas escuras, o Melro-d’água desafia a lógica da gravidade. Enquanto outras aves sobrevoam os rios, ele prefere o interior deles. Graças a uma plumagem densa e impermeabilizada por uma glândula especial, ele consegue mergulhar em águas gélidas e correntes fortes, utilizando as suas asas como barbatanas para “voar“ debaixo de água enquanto procura alimento no leito do rio.
Para quem visita os rios da Meseta Ibérica, como o Sabor, o Tuela, o Maçãs ou os riachos que alimentam o Douro e o Lago de Sanabria, avistar um Melro-d’água é uma excelente notícia. Esta espécie é um bioindicador de excelência.
O Melro-d’água só habita rios de águas rápidas, bem oxigenadas e, acima de tudo, livres de poluição. A sua presença é o “selo de garantia“ de que o ecossistema está saudável e de que os macroinvertebrados de que se alimenta abundam naquelas águas.
 
Curiosidades:

  • Caminhar no fundo do rio: Ao contrário de outras aves aquáticas que flutuam, o Melro-d’água consegue fixar-se ao fundo do rio com as suas garras fortes, lutando contra a corrente para apanhar larvas de insetos.
  • O ninho invisível: Gosta de construir os seus ninhos em locais improváveis: atrás de pequenas cascatas, sob pontes antigas de pedra ou em fendas de rochas húmidas, sempre onde o som da água corrente abafa qualquer outro ruído.
  • Uma melodia constante: Mesmo no inverno mais rigoroso da Meseta, o Melro-d’água continua a cantar. O seu canto é agudo e potente, desenhado especificamente para ser ouvido por cima do barulho das águas bravas.

 
Na Meseta Ibérica, a conservação desta espécie passa diretamente pela proteção das nossas linhas de água. Manter as margens preservadas e a água limpa não é apenas uma missão ambiental, é garantir que as gerações futuras continuem a ver este pequeno mergulhador a saltar de pedra em pedra. Na próxima vez que caminhar junto a um dos nossos rios, pare um instante. Se vir uma pequena mancha branca a mergulhar na corrente, saiba que está perante um dos tesouros mais autênticos e resilientes da nossa biodiversidade transfronteiriça.

Data da Notícia: 
03/23/2026